Viver para trabalhar ou trabalhar para viver

Viver para trabalhar ou trabalhar para viver

Hoje quero conversar sobre os impactos da escala 6x1 e da precarização do trabalho na saúde mental. Porque, quando falamos em jornada, não estamos falando apenas de horas, estamos falando de vida.

Trabalho Saúde Mental psicoterapia

Hoje quero conversar sobre os impactos da escala 6x1 e da precarização do trabalho na saúde mental. Porque, quando falamos em jornada, não estamos falando apenas de horas, estamos falando de vida.

Os relatos se repetem: um cansaço que não passa, um único dia na semana para dar conta da casa, da família e de si mesmo. Estudos mostram que a escala 6x1 provoca desgaste físico constante, cansaço acumulativo e isolamento social. Simplesmente não há tempo para descansar. O tempo foi vendido junto com a força de trabalho.

O mais cruel é que vivemos cercados de discursos que transformam a exaustão em virtude. “Vista a camisa, seja guerreire, a empresa é uma família”. Se você não dá conta, a culpa é sua, que não se esforçou ou não se organizou. A falência é individualizada, como se o problema fosse apenas falta de gestão pessoal.

Essa sobrecarga, porém, não atinge todo mundo igual. Mulheres, principalmente mulheres negras, acumulam trabalho não remunerado em uma escala 7x0 e enfrentam as piores jornadas. O adoecimento provocado pela escala 6x1 não é neutro: tem cor, gênero e classe.

A escala 6x1 é uma escolha deliberada para extrair o máximo de trabalho pagando o mínimo de salário. O acúmulo de riqueza de poucos depende da exaustão do resto.

Por isso, ao pensar em saúde mental, precisamos falar de política. Precisamos falar sobre gênero, sobre raça, sobre classe.

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